Que tal mais uma piada!



Relativo ao palhaço psicótico retratado no universo da DC é bem fácil que essa nova roupagem dada pelo diretor Todd Phillips tenha de alguma forma trazido àquela empatia com o doente mental. Isso se evidencia não só pelo sucesso que foi nas bilheterias, mas também pelo roteiro muito bem feito do filme e de uma cena, hum... Que merece uma atenção especial.

Assim, de quem estamos falando? Heim? Do Coringa o maior arqui-inimigo do Batman, quem sabe o maior Herói já produzido pela mente humana? E o seu maior vilão tem um filme solo, um filme onde conta a origem do palhaço perturbado.

Como, infelizmente não sou critico de cinema para avaliar fotografia, roteiro e dramaturgia. Mas me compete como telespectador e doente mental dar minha opinião! E olha esse filme logo de inicio digo que é uma obra prima.

Quando vi o filme logo na primeira cena que mostra o coringa se produzindo e trabalhando como animador de circo em frente a uma loja em que ele é assaltado por um grupo de arruaceiros que no final acabam o agredindo fisicamente. É de partir o coração, e digo, que a partir dai todas suas ações seriam “compreensíveis”. Pois é, mas num é bem assim a vida de um doente mental e para exemplificar vou falar do única vez que fui internado no HC (Hospital de Clinicas) aqui da minha cidade.

Também, quando surtei pela primeira vez, parecia que eu estava com uma doença terminal, que eu não ia mais me recuperar, que era meus últimos dias nesse plano. Mas ai veio à terapia, medicamentos e muita, mais muita, resiliência com o preconceito da sociedade que passou a me enxergar com outros olhos.

Além disso, passei de um jovem promissor para um doente terminal, é isso mesmo um doente terminal. Mas como o tempo passa! E eu continue a vida, tentei estudar para medicina no vestibular e devido ao grande nível de stress em fazer uma prova de vestibular não consegui passar.

Ademais, passei a fazer cursos menos concorridos, como uma licenciatura, por exemplo, em tese era uma ideia de gênio, virar professor, uma profissão que forma todas as profissões. Mas quando entrei no curso e no mercado de trabalho onde passei a ocupar lugares que outros menos qualificados acreditavam que o lugar que eu ocupava eram deles. Passei a sofrer de outro mal, o do desmerecimento de que eu não era capaz de ter alguma profissão da mais humilde que seja.

Então, para um doente mental, a luta antimanicomial, que para alguns é um espirito romântico, os que acham que a luta antimanicomial é romance é por que eles nunca foram internados num hospital psiquiátrico! E a cena do filme que me tocou muito mesmo, foi aquela que ele está com sua terapeuta e ela pergunta:

-- Você tem pensamentos negativos?

E ele responde:

-- Eu só tenho pensamentos negativos!

ISSO! Resumi a vida de um doente mental sem tratamento.


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