Por que eu não sou racista!
Relativo ao fato de eu não ser racista, é possível
afirmar que pela minha família, na qual eu fui criado, ser majoritariamente
negra. Isso se evidencia não só por pela minha mãe, tios e avôs serem negros,
mas também por eu ter uma experiência na minha primeira infância que sustenta
essa afirmação.
E primeiro lugar. É preciso analisar que eu fui criado
apenas pela minha família por parte de mãe, visto que a família por parte de
pai me abandonou quando eu era recém - nascido, hoje não os culpo, no entanto,
esse fato ocorreu devido a morte prematura do meu pai, em um acidente de carro,
que pela dor e revolta do luto minha avó paterna culpou minha mãe pelo
ocorrido. Sabendo disso, pode-se perceber que eu não tenho apenas um álibi de
um amigo negro para chamar de meu para me livrar de um futuro processo de
racismo, mas sim, que eu tenho laços de afetividade e afinidade com a negritude
tão presente no povo brasileiro.
Além disso, faz-se necessário atentar para uma passagem na
minha infância que marcou meu inconsciente pessoal e corrobora com minha
posição antirracista, que foi com meu tio, que é negro, só que, ele não é
somente negro e sim ele é aquele negro estereotipado. Isso porque, ele é aquele
negro que gosta de samba, torce pelo Flamengo, gosta de tomar sua cerveja e
gosta muito de mulheres.
Assim, eu afirmo minha posição antirracista, pelo
seguinte fato, primeiro há de convir que a criança é a luz da sinceridade nesse
mundo, e eu como um dia já fui uma, tenho uma passagem situacional que
evidencia isso. Foi assim, um dia meu tio, o negro, estava se arrumando para
sair, ou para um trabalho, ou para uma festa. E por isso, estava se arrumando e
chegou uma hora que ele foi engraxar o sapato preto dele, logo, eu que estava
apenas observando aquela cena, peguei a graxa preta sem ele perceber e passei
no rosto e disse: “Tio eu quero ser preto que nem o senhor”. Assim, o motivo
dessa minha ação é que eu admirava a beleza e o jeito dele levar a vida de um
negro “malandro” e bem descolado, logo, eu queria ser igual a ele.
Portanto, eu não sou racista, como também, sou
antirracista, eu como pardo descendente de negros, tenho como principal memoria
afetiva na minha infância uma situação que marca minha aceitação com as
pessoais de pele preta. Afinal, minha família que é minha base de formação de
caráter, ético e moral é negra.
