O problema do Google
O autodiagnostico vem se
tornando uma prática cada vez mais comum entre a população. Com o acesso a
informação (quase sempre não filtrada) muitas pessoas autorizam-se a dizerem o
que está acontecendo com elas mesmas. Longe de uma atitude de Empoderamento e
muito mais próxima de uma ação irresponsável, essa prática cultural precisa de
olhares atentos e medidas interventivas já. Creio que vivemos uma epidemia de
diagnósticos, mas esse processo não pode nos fazer perder de vista que as
doenças existem no seu processo multifatorial e complexo e que precisam ser
devidamente compreendidas para serem mais bem tratadas, sem perder de vista,
obviamente, propostas críticas e reflexivas frente a todo o emaranhado que a
avaliação e intervenção possuem. Para ilustrar um pouco sobre o que quero expor
com esse breve texto, deixo vocês com esse exemplo:
"Um antigo psiquiatra me contou certa vez que
era comum os pacientes afirmarem: 'Doutor, eu não estou dormindo bem, perdi o
apetite e me sinto muito mal comigo mesmo'. Ele respondia: 'Certamente você
está deprimido'. Agora, segundo ele, os pacientes dizem: 'Doutor, estou
deprimido', e sua resposta é 'Ah, você não está dormindo bem? Perdeu o apetite
e está se sentindo mal consigo mesmo?'. Hoje as pessoas estão muito mais
preparadas para o autodiagnostico." (REHM, 2010, p. 14)
