AOS OPORTUNISTAS DE PLANTÃO..


Oportunistas são como víboras, sempre à espreita e prontos a destilar seu veneno; são como abutres, esperando o momento de devorar suas presas, já abatidas ou mortas. Esta copa, diferente das demais, mostrou o poder nefasto das palavras, das imagens, das sátiras grosseiras, das críticas sorrateiras, dos gestos extremamente preconceituosos e desprovidos de virtude. O face liderou esse cenário de ofensas, de ataques, de posturas mesquinhas. Começo pela presidente que, culpada pela copa, pela queda do viaduto, pela derrota do Brasil (pois não teria comprado o mundial; e se tivesse vencido, também levaria a culpa por ter comprado o mundial) e também, creio, pelo aquecimento global. Os anos de leitura me ensinaram que críticas são duras, mas necessárias, mas críticas rasteiras e mesquinhas são desprezíveis. Em segundo lugar a seleção, pois bandeiras do Brasil foram queimadas, jogadores crucificados, uma vez que ganham milhões somente para jogar futebol, disse uma internauta furiosa. Eu não sabia que dinheiro desqualificava o ser humano. Esses jovens atletas já pagaram pela forma como jogaram. Pude ver em seus semblantes o desespero colossal a que foram submetidos durante o jogo; vi seus corações aos pulos, aos prantos, implorando a Deus que aquele tormento terminasse, mas ainda restavam mais 45 minutos de tortura, de dor. Em terceiro lugar, Felipão, a quem a Globo e seus "comentaristas" crucificaram como um criminoso, como um cão sarnento. Esta copa deixou marcas indeléveis, lições eternas. A Alemanha nos ensinou que grandes seleções não dependem de grandes ídolos, mas de organização, união, frieza ao lhe dar com situações adversas e, fundamentalmente, trabalhar o emocional. A mídia mostrou-se mais uma vez perversa e manipuladora a fabricar heróis imortais que, sozinhos, poderiam decidir o jogo, ledo engano e que sem eles a seleção não passaria de uma sombra do deus abatido. A mídia depositou sobre os ombros de um menino, um gênio, mas não um deus, o peso de uma seleção inteira, de um povo inteiro e deu no que deu. Felipão me emocionou com sua entrevista, mostrou ser um homem de caráter, de postura exemplar, trouxe a responsabilidade para si, embora não tenha sido só dele. A seleção, bem como seu técnico, continuarão tendo meu respeito, meu carinho e, sobretudo, minha admiração. Minha irmã asseverou: o que dizer às crianças, ora em prantos? Paciência, é bom que sejam batizadas logo no gosto amargo da derrota e que aprendam que nem sempre o doce da vitória vem fácil. Aos oportunistas, ora em festa, que se deleitem com a desgraça alheia, POIS VIVEM NESSA PENUMBRA CINZENTA, ONDE NÃO CONHECEM NEM DERROTA E NEM VITÓRIA.

A ti, leitor, deduzas!!!

TEXTO DO PROFESSOR RUBENS SOARES (PROFESSOR DE HISTÓRIA DE BELÉM)


 

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