Redação Nota 1000 enem 2020 (O estigma dos doentes mentais)
Adrielly Clara Enriques Dias, de Conselheiro Lafaiete/MG
No filme estadunidense “Joker”, estrelado por
Joaquin Phoenix, é retratado a vida de Arthur Fleck, um homem que, em virtude
de sua doença mental, é esquecido e discriminado pela sociedade, acarretando,
inclusive, piora no seu quadro clínico. Assim, como na obra cinematográfica
abordada, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, devido a
conceitos preconceituosos perpetuados ao longo da história humana, há um
estigma relacionado aos transtornos mentais, uma vez que os indivíduos que
sofrem dessas condições são marginalizados. Ademais, é preciso salientar,
ainda, que a sociedade atual carece de informações a respeito de tal assunto, o
que gera um estranhamento em torno da questão.
Em primeiro lugar, faz-se necessário mencionar
o período da Idade Média, na Europa, em que os doentes mentais eram vistos como
serem demoníacos, já que, naquela época, não havia estudos acerca dessa
temática e, consequentemente, ideais absurdas eram disseminadas como verdades.
É perceptível, então, que existe uma raiz histórica para o estigma atual
vivenciado por pessoas que têm transtornos mentais, ocasionando um intenso
preconceito e exclusão. Outrossim, não se pode esquecer de que, graças aos
fatos supracitados, tais indivíduos recebem rótulos mentirosos, como, por exemplo,
o estereótipo de que todos que possuem problemas psicológicos são incapazes de
manter relacionamentos saudáveis, ou seja, não conseguem interagir com outros
seres humanos de forma plena. Fica claro, pois, que as doenças mentais são
tratadas de forma equivocada, ferindo a dignidade de toda a população.
Em segundo lugar, ressalta-se que já, no
Brasil, uma evidente falta de informações sobre transtornos mentais, fomentando
grande preconceito e estranhamento com essas doenças. Nesse sentido, é lícito
referenciar o filósofo grego Platão, que, em sua obra à República, narrou o
intitulado “Mito da Caverna”, no qual homens, acorrentados em uma caverna, viam
somente sombras na parede, acreditando, portanto, que aquilo era a realidade
das coisas. Dessa forma, é notório que, em situação análoga à metáfora
abordada, os brasileiros, sem acesso aos conhecimentos acerca dos transtornos
mentais, vivem na escuridão, isto é, ignorância, disseminando atitudes
preconceituosas. Logo, é evidente a grande importância das informações, haja
vista que a falta delas aumenta o estigma relacionado às doenças mentais,
prejudicando a qualidade de vida das pessoas que sofrem com tais transtornos.
Destarte, medidas são necessárias para
resolver os problemas discutidos. Isto posto, cabe à escola, forte ferramenta
de formação de opinião, realizar rodas de conversa com os alunos sobre a
problemática do preconceito com os transtornos mentais, além de trazer
informações científicas sobre tal questão. Essa ação pode se concretizar por
meio da atuação de psiquiatras e professores de sociologia, estes irão
desconstruir a visão discriminatória dos estudantes, enquanto que aqueles irão
mostrar informações relevantes sobre as doenças psiquiátricas. Espera-se, com
essa medida, que o estigma associado às doenças mentais seja paulatinamente
erradicado.